O que mede o exame de colinesterase
A colinesterase é uma enzima que ajuda os nervos a funcionar direito. Inseticidas organofosforados e carbamatos bloqueiam essa enzima, e por isso a dosagem no sangue indica se o trabalhador está absorvendo esses produtos. O exame é feito por quem prepara calda, aplica, armazena ou transporta agrotóxicos, e entra no PCMSO quando o inventário de riscos registra essa exposição.
Existem duas formas principais: a acetilcolinesterase eritrocitária, medida nas hemácias, e a colinesterase plasmática, medida no plasma. Elas reagem em velocidades diferentes, e o médico escolhe qual usar, ou se usa as duas, conforme o produto e a rotina.
Eritrocitária ou plasmática: qual a diferença?
| Ponto | Acetilcolinesterase eritrocitária | Colinesterase plasmática |
|---|---|---|
| Onde é medida | Nas hemácias (glóbulos vermelhos) | No plasma |
| Como reage | Mais lenta para cair e para voltar | Cai e se recupera mais rápido |
| O que ajuda a mostrar | Exposição acumulada ao longo do período | Exposição recente |
Os critérios de interpretação seguem a NR-7, conforme a norma vigente. O ponto central é a comparação com o próprio valor de referência do trabalhador, por isso o exame antes da exposição é tão útil.
Quem deve entrar no acompanhamento
- Aplicadores com pulverizador costal ou tratorizado
- Quem prepara a calda e abastece os equipamentos
- Funcionários de armazéns e depósitos de defensivos
- Atendentes de revenda que manuseiam embalagens
- Trabalhadores de controle de pragas urbanas que usam esses produtos
- Quem lava roupas e equipamentos contaminados
Como organizar na propriedade ou na empresa
Liste os produtos usados
Reúna as fichas dos produtos e identifique quais são organofosforados ou carbamatos. Isso orienta o médico na escolha do exame.
Faça a dosagem inicial
Antes do início da aplicação ou na admissão, para o trabalhador ter o seu próprio valor de comparação.
Repita durante o período de uso
A frequência é definida no PCMSO, considerando a intensidade e a época de aplicação.
Aja diante de queda
Se o exame cair, o médico pode afastar o trabalhador da aplicação até a recuperação e a empresa revê o processo e o EPI.
Erro comum: colher o exame só depois que alguém passou mal. Nessa hora, a enzima já caiu e não há valor anterior para comparar. O monitoramento serve justamente para perceber a queda antes dos sintomas.
O exame não substitui a proteção
A colinesterase é um sinal de alerta. A prevenção de verdade está em respeitar o intervalo de reentrada na lavoura, usar vestimenta e luvas adequadas, lavar o EPI do jeito certo e escolher o respirador correto, com teste de vedação. Veja como funciona o fit test qualitativo. No meio rural, tudo isso deve estar no PGRTR, que é o programa de gerenciamento de riscos da NR-31.
Se o trabalhador apresentar sintomas como suor excessivo, salivação, tontura, visão turva ou tremores durante ou depois da aplicação, ele deve parar a tarefa e procurar atendimento médico. O exame de rotina não substitui esse cuidado.
Registros que fazem diferença
A interpretação da colinesterase fica muito mais segura quando o médico sabe o que aconteceu no período. Anote, para cada trabalhador exposto, quais produtos ele aplicou, em que dias, por quanto tempo e com qual equipamento de proteção. Esse caderno de campo simples ajuda a explicar uma queda no exame e a descobrir onde a proteção falhou: pode ser um pulverizador com vazamento, uma luva inadequada ou o hábito de preparar a calda sem proteção para o rosto.
Os resultados também devem ficar guardados no prontuário médico. Com o passar das safras, eles formam um histórico que mostra se a propriedade está conseguindo reduzir a exposição de verdade.
Como a MT2 ajuda a sua empresa
Atendemos produtores, cooperativas, revendas e empresas de controle de pragas de Goiânia e do interior próximo. Ajudamos a definir quem precisa do exame, a organizar a dosagem inicial antes da safra e a reunir os resultados para o médico do trabalho. Para entender o conjunto de exames por agente químico, veja o monitoramento biológico.